

Lote
Yasmin Siegl
Hora Do Silêncio
60 x 100 cm
café, tinta acrílica e giz pastel sobre tela
assinatura no verso
2026
Três presenças recorrentes estruturam minha pesquisa: a pedra, a luz e o azul. Compreendo esses elementos como forças silenciosas que organizam a experiência da pintura. Eles não aparecem como símbolos fechados, mas como matérias de pensamento, campos de tensão e formas de aproximação com aquilo que permanece, revela-se ou escapa.
Da pedra me interessa a densidade. Há nela uma espécie de tempo concentrado, uma memória anterior à linguagem, uma presença que resiste ao desaparecimento. A pedra carrega o peso do mundo, mas também sua duração. Ela parece guardar aquilo que passou sem se deixar consumir inteiramente pelo movimento. Em minha pintura, a pedra surge como corpo, vestígio, superfície e obstáculo. Ela é aquilo que permanece quando a paisagem muda, quando a luz se desloca, quando a imagem ameaça se dissolver. Sua presença introduz uma lentidão mineral, uma outra medida de tempo, mais próxima da sedimentação do que do acontecimento.
A luz, por sua vez, opera como passagem. Ela não apenas ilumina as formas, mas as desestabiliza. A luz torna visível e, ao mesmo tempo, devolve as coisas à indeterminação. É limiar, suspensão, fresta. Interessa-me a luz que não esclarece simplesmente e que cria zonas de aparição, como se cada imagem estivesse sempre prestes a se recuar para o mistério. Na pintura, busco essa vibração instável: o ponto em que a matéria começa a respirar, em que a superfície passa a sugerir profundidade, distância, atmosfera.
O azul atravessa minha produção como campo de imersão. Penso nele como uma temperatura do olhar, uma qualidade de silêncio, uma abertura para o devaneio. O azul não expande. Ele conduz a percepção para uma distância íntima, para um espaço onde o olhar desacelera e já não procura reconhecer imediatamente aquilo que vê. Há no azul uma força de suspensão, como se ele instaurasse uma pausa dentro da imagem e convidasse o corpo a permanecer ali por mais tempo. Ele amplia o campo da imaginação porque preserva uma zona de indeterminação, um espaço onde o sensível continua a se mover.
Pedra, luz e azul formam, assim, uma espécie de geografia afetiva. A partir deles, construo paisagens que não pretendem representar um lugar específico, mas instaurar um espaço de experiência. São paisagens que nascem do encontro entre memória, matéria e sensibilidade; imagens que transitam entre o vivido e o sonhado, entre o reconhecimento e a invenção. Um lugar que se forma dentro de nós quando uma imagem nos atravessa.
Da pedra me interessa a densidade. Há nela uma espécie de tempo concentrado, uma memória anterior à linguagem, uma presença que resiste ao desaparecimento. A pedra carrega o peso do mundo, mas também sua duração. Ela parece guardar aquilo que passou sem se deixar consumir inteiramente pelo movimento. Em minha pintura, a pedra surge como corpo, vestígio, superfície e obstáculo. Ela é aquilo que permanece quando a paisagem muda, quando a luz se desloca, quando a imagem ameaça se dissolver. Sua presença introduz uma lentidão mineral, uma outra medida de tempo, mais próxima da sedimentação do que do acontecimento.
A luz, por sua vez, opera como passagem. Ela não apenas ilumina as formas, mas as desestabiliza. A luz torna visível e, ao mesmo tempo, devolve as coisas à indeterminação. É limiar, suspensão, fresta. Interessa-me a luz que não esclarece simplesmente e que cria zonas de aparição, como se cada imagem estivesse sempre prestes a se recuar para o mistério. Na pintura, busco essa vibração instável: o ponto em que a matéria começa a respirar, em que a superfície passa a sugerir profundidade, distância, atmosfera.
O azul atravessa minha produção como campo de imersão. Penso nele como uma temperatura do olhar, uma qualidade de silêncio, uma abertura para o devaneio. O azul não expande. Ele conduz a percepção para uma distância íntima, para um espaço onde o olhar desacelera e já não procura reconhecer imediatamente aquilo que vê. Há no azul uma força de suspensão, como se ele instaurasse uma pausa dentro da imagem e convidasse o corpo a permanecer ali por mais tempo. Ele amplia o campo da imaginação porque preserva uma zona de indeterminação, um espaço onde o sensível continua a se mover.
Pedra, luz e azul formam, assim, uma espécie de geografia afetiva. A partir deles, construo paisagens que não pretendem representar um lugar específico, mas instaurar um espaço de experiência. São paisagens que nascem do encontro entre memória, matéria e sensibilidade; imagens que transitam entre o vivido e o sonhado, entre o reconhecimento e a invenção. Um lugar que se forma dentro de nós quando uma imagem nos atravessa.
R$ 3.500














